quarta-feira, 12 de setembro de 2007

"Quem não chora, não mama"



www.tuhomeandhealth.com

Tenho quatro turmas. Uma de sétimo ano, duas de oitavo e outra de nono. Na de sétimo, para além de Português, acumulo também a disciplina de Francês.

Sou também Directora de Turma de um oitavo ano.

Portanto, quatro níveis, para além de Formação Cívica e daquela trabalheira bestial que a Direcção de Turma dá sempre.

Armada em engraçadinha, telefonei ao big boss do CE e expus-lhe a situação, lembrando que tinha muitos níveis (ao contrário da maioria dos colegas que só têm um ou dois níveis). O big boss chutou, de imediato, que era isso ou horário incompleto e lá ia eu para a rá-ré-ri-ró-rua.

Calei-me.

Mas, depois, continuei: "Poooooois, compreendo... Mas, quando fizerem os horários, vejam lá se não me carregam na componente não lectiva..."

Diz-me ele (o big boss): "Mas a colega tem uma componente não lectiva muito levezinha, só com 4 horas..."

E disse eu, logo a seguir: "Pois tenho, mas pode ficar bem pesada, se me põem apoios e muitos acompanhamentos e 'essas coisas'... (Tagarela a tentar a sua sorte).

O big boss: "Depois veremos isso, ok, colega?"

E eu, melga e atrevida: "Sim, está bem. E também precisava mesmo de um horário de manhã... se puder ser... Ih! Ih! (risinho nervoso)"

O boss já bufava: "Tá, tá, colega, depois vamos estudar essa questão".

A conversa ficou por aqui. Mas faltou-me pedir-lhe dia livre à segunda ou à sexta-feira. E que me arranjasse um secretário que fosse alfabetizado e soubesse escrever pelo menos uma frase seguida sem erros e fizesse a distinção entre 'há' e 'à' e que soubesse escrever no teclado de um computador usando mais dedos para além do indicador da mão direita and so on, and so on, and so on...

(CONTINUA)


segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Tagarela há três semanas com Tagarelinhas


Angústia(A Mãe do Artista). Painted by David Alfaro Siqueiros. Vinilete sobre eucatex, 94 x 76 cm.



Angústia (A Mãe do Artista), pintado por David Alfaro Siqueiros


quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Uxazue



O pai e a mãe deitaram a Tagarela II para fazer o seu soninho da noite.

Beijinho aqui, beijinho ali, diz ela de repente: "podias tazê o meu uxazue?"

Pai e mãe entreolham-se, confusos.

"O teu quê?"

"Uxazue. O meu uxazue."

Pais, aflitos, tentam descodificar a mensagem encriptada. Uxazue, o que será?...

De repente, a Tagarelinha tira a chupeta e dá uma ajudinha aos papás: "Usso Azul, o meu usso azul que tem um lacinho vemelho e que tá na sala!"

Aaaaaaaaaahhhh! Já pecebemos!!

Vi o Dali no Porto!

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(Vi esta imagem aqui).

Hoje, aproveitando o facto de a manhã estar cinzenta e enjoada, fomos ver a exposição de obras de Salvador Dali, basicamente desenhos e algumas esculturas, ao Palácio do Freixo, no Porto.

Saímos com a convicção de que temos de lá voltar!

Primeiro, porque uma das pequenitas desviou-me constantemente a atenção, quer desaparecendo da sala em que estávamos ("vou ali e já venho, mamã!"), quer fazendo perguntas curiosas ("que animal é aquele?"). Sentia-a saturada e inquieta.

Depois, porque vale a pena rever tudo ou visitar a exposição por partes, em dias diferentes. São muitos desenhos, lindos, geniais, com múltiplas leituras, seria imperdoável não ver tudo com mais minúcia...

Agora que vou sentir aquele gostinho amargo na boca, isso vou. É que, à medida que ia vendo a exposição, só me apetecia dizer: "Ó menina, vou levar aquele, aquele e aqueles dois... não, os que estão aí à direita... sim... e o da girafa em chamas também... isso mesmo!" (Suspiro).

domingo, 15 de julho de 2007

No Rivoli





As lotações esgotam-se sucessivamente. Os aplausos, no fim, são emocionados e vigorosos, obrigam o elenco a agradecer repetidamente em cena aberta. Vêm pessoas de todo o país e até da Galiza.

Eu também fui e iria mais uma vez. Ao Rivoli, ver o último musical de Felipe La Féria, "Jesus Cristo Superstar".

A adaptação está muito bem feita, a encenação deixa transparecer o talento inato de la Féria de criar arte em palco, os actores-cantores têm vozes belíssimas e representações plenas de força e dramatismo. David Robinson, que é detentor dos direitos de Jesus Cristo Superstar, já expressou a La Féria o desejo de apresentar este musical ao público inglês...

Imperdível!

terça-feira, 10 de julho de 2007

Os irmãos - parte 2



A cena é de uma ternura imensa e já se repetiu uma ou outra vez.

As duas tagarelinhas vão atrás no carro, cada uma na sua cadeira. A mais novinha tem uma das suas birras tempestuosas e ensurdecedoras. Dou-lhe a tata, atira com a tata ao chão; dou-lhe um brinquedo, atira com o brinquedo ao chão; dou-lhe uma bolacha maria, atira com a bolacha maria ao chão - nada a acalma.

De repente, peço à mais velha, ausente no meio de tanta confusão: "Dás a mão à mana?" E ela dá. Os gritos inconsoláveis acabam subitamente. Olho para trás e vejo duas princesinhas que se olham com uma cumplicidade carinhosa - a mais velha, protectora e orgulhosa; a mais nova, de olhos inchados e lágrimas teimosas, confortada e sorridente. Vão as duas de mão dada durante toda a silenciosa viagem.

(Som de baba de mãe a escorrer no teclado).

Os irmãos - parte 1



Não tenho irmãs. Só um irmão mais velho dez anos, amigo e protector, mas naturalmente diferente e distante.

Aos 18 foi estudar para outro lado e eu fiquei sozinha com a minha mãe.

Sou assim um misto de filha única com irmão-paizinho, a princesa a quem se fazem todas as vontades.

E sempre detestei isso.

Daí que, em criança, sempre sentisse uma secretíssima inveja de todos os que tinham irmãos próximos, companheiros de casa, de quarto, de escola, de brincadeiras e risinhos, de conflitos e amuos, de modas e desejos.

Eram deliciosos os relatos que a minha mãe fazia de todas as aventuras vividas com o irmão, que veio dois anos depois dela. Sei de cor alguns episódios, como aquele em que ela fez a barba ao mano com um pauzinho. Arranhou-lhe a cara toda, "eu era pequenina, mas ele ainda era mais, coitadinho, ficou todo magoadinho..."

É por isso que eu, na minha distante e solitária infância, sonhava em ter muitos filhos e todos seguidinhos. E queria que todos dormissem no mesmo quarto, para se agarrarem uns aos outros, quando viesse o medo da noite e do silêncio...

Smarties



Agora é a caçulinha que ficou com varicela...

Neste fim-de-semana, teve uma temperatura baixa, que é um dos indícios desta doença. Dado que, nessa altura, tinham já decorrido os quinze dias habituais de incubação, após o contacto com a mana (ler aqui), não nos admirámos quando vimos, na segunda de manhã, a borbulhita denunciadora junto ao biribigo...

Agora, é a vez dela de andar estrelada, com atarax-zovirax-bétadine à mistura.

Isto de se ser o mais novo e de ter uma irmã no infantário é assim...

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Na capital do Norte



Conheci-o na escola em que estagiei. Era de Português e ensinava já há muitos anos. Não me recordo do nome, mas lembro-me de que era conhecido por Mandioca.

Um dia, virou-se para um aluno insurrecto, daqueles desaustinados que nos fazem fervilhar o sangue no cerebelo, e grunhiu assustadoramente: "Meu cab*** de m**da! Dou-te um pontapé no céu da boca que te ponho a cuspir brilhantina!!!". (O aluno encolheu-se até desaparecer).

Na Invicta é assim que se fala.

terça-feira, 3 de julho de 2007

A todos os meus colegas

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Neste ano lectivo, tive uma colega de quem gostei muito.

Andava duas horas na estrada casa-trabalho, era mãe de três crianças pequenas, atacava as tarefas domésticas e familiares com garra e descontração, era simples e nada pretensiosa, dócil e divertida.

Quis o destino que a plurianualidade do concurso terminasse ao fim de um ano para esta minha colega. Contigências da vida escolar, perdeu o horário que foi direitinho para outra professora saída do Executivo...

Agora, acho que nunca mais a irei ver. A ela e a dezenas de colegas que perdi neste carrossel de colocações ao longo da minha vida profissional... Às vezes, lembro-me deste ou daquele, uns eram brincalhões e coloridos, outros intimistas e sensíveis, outros ainda excêntricos e pedagogicamente "diferentes". De todos eles, de todos de quem gostei, tenho saudades e sinto-lhes a falta.

Pudesse eu ser rica que construiria uma escola e aos meus colegas preferidos daria colocação!...

À Rita, a todos eles e a todos os que virão, dedico este poema doce e cristalino de Eugénio de Andrade:

OS AMIGOS

Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria -
por mais amarga.

Até sempre!